sexta-feira, 28 de maio de 2010

Um clipe perdido

Acabei de encontrar na rede um último projeto de clipe de meus ex-alunos das saudosas turmas de Multimidia 2 daUFES, mesclando três manifestações artísticas num produto híbrido. Vejam o resultado interessante.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

SpaceBlooks, terceira noite: Steampunk




Se a mesa do segundo dia era potencialmente explosiva, não sabíamos o que esperar do grupo reunido para a terceira noite de SpaceBlooks. Eu e Toinho Castro juntamos um trio que pode ser considerado, no mínimo, um paradoxo díspar: o dinossáurico Gerson Lodi-Ribeiro (que, mais uma vez, escreveu um relato acuradíssimo da noite em seu blog), representando a geração “menos nova” dos autores de FC; Alexandre Lancaster, quadrinista e autor, cheio de idéias muito particulares a respeito do que deve ser feito em termos de popularização do gênero no Brasil, e a incógnita-mor, Fausto Fawcett, que poderia ter se sentido um peixe fora d’água, mas que nadou de braçada tanto no assunto como fora dele.

Gérson abriu os trabalhos explicando de maneira sucinta o que diabos seria steampunk, de onde vem, quais as obras referenciais e, principalmente, o que não é steampunk, homessa! Lancaster, que falou como se o mundo dependesse disso, apresentou dois samples da HQ Expresso, que mescla estilo japonês com texto influenciado pelas dime novels e edisonades dos anos 20, onde garotinhos-gênios salvavam os Estados Unidos semanalmente, pilotando robôs gigantes ou coisas parecidas. Entre uma ou outra diatribe (por exemplo, Lancaster odeia o ator Will Smith com todas as suas forças), mostrou conhecimento de causa e defendeu uma FC “de base”, com o steampunk funcionando de maneira a cooptar leitores mais jovens, transcendendo o universo literário, com a estética influenciando a moda e os costumes.




Fausto Fawcett veio na sequência, proferindo a frase da noite: dentro de todo Jetson existe um Flintstone. Sugerindo que, mais que steam, a FC é StillPunk, por não conseguir se livrar completamente das tendências desconstrutivistas do cyberpunk, Fawcett disparou uma sequência de frases instigantes e bem construídas, quase transformando o bate papo numa performance per se e cortando qualquer vestígio de nerdice panelística. Falou-se de monarquia, de revolução industrial alternativa, de William Gibson, Bruce Sterling, Kim Newman e até, cáspita!, de mim.

Essa talvez tenha sido a mesa onde o conceito de bate papo melhor funcionou, com os debatedores cedendo a palavra uns aos outros e tomando-a de volta eventualmente. Além disso, com certeza foi a mais bem sucedida no quesito “pescaria”, ou seja, aquele efeito que atrai o público incidental que está ali para ver os livros, mas acaba gostando do papo e se aproxima para ouvir um poucochito, coroando o final da SpaceBlooks, que deixou todos com gosto de quero mais e melhores mundos.

Para terminar, gostaria de agradecer à Elisa Ventura e a toda a equipe da Blooks, que funcionou como um relógio do século XXX, sempre a postos, com precisão e profissionalismo, mas principalmente vai aqui um afetuoso “muito obrigado” a Toinho Castro, que me contatou há meses, convidando a participar desse projeto sensacional. Valeu, cara, estou em dívida contigo. ;-)

E que venham outras jornadas.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

SpaceBlooks, segunda noite - Internet e Ficção Científica


Outra meia hora de atraso, mas cheguei à Blooks a tempo de um bate papo informal com os participantes da segunda mesa do evento SpaceBlooks, Ana Cristina Rodrigues, historiadora, escritora e agitadora online, Fábio Fernandes, professor, tradutor, teatrólogo e escritor, dono dos blogs Post Weird Thoughts e Pós Estranho, e Saint-Clair Stockler, escritor e editor das antologias Imaginários I e II. Meu colega, Toinho Castro, entretido com um sanduíche, me afirmou que todos já estavam devidamente orientados a respeito dos temas e dos caminhos a seguir, mas ainda assim reiterei que o ponto a ser focado era a carreira de cada um ligada diretamente à internet. No recinto já havia quórum para começarmos o evento e essa noite mostrava um número maior de autores de gênero na platéia. Gérson Lodi-Ribeiro, que postou um belo relato da noite em seu blog, Max Mallmann e um reincidente Bráulio Tavares, entre outros, orbitavam os stands da livraria envoltos em um agradável burburinho pré-show.

Diferente do primeiro dia, não havia uma mesa enorme para os três convidados, mas um pequeno grupo de mesa e cadeiras ao mesmo nível da platéia, o que tornava o clima mais propício a um bate papo e liberava a livraria para que o público incidental circulasse pelas gôndolas. Munido de uma câmera digital emprestada por meu filho para a ocasião, dei início aos trabalhos da noite, apresentando os debatedores e reforçando a ligação de cada um com novas mídias e a internet em particular. Ana Cristina recebeu o microfone e desfiou suas aventuras como escritora submersa na rede full time, com blogs, Twitter, Orkut, Facebook e YouTube, mas que sempre encontra um meio de subir à superfície para lançar um ou dois livros “físicos”, sejam individuais ou antologias de autores diversos, que burilam os textos em oficinas online, como a Fábrica dos Sonhos, gerenciada por ela.

A platéia, dividida entre novatos, fãs e autores da Ficção Científica brasileira (ou, melhor dizendo, carioca) interrompeu diversas vezes, reiterando o clima benfazejo de conversa informal que era nosso objetivo desde o início. Chamou-me atenção o número de pessoas antenadas com o zeitgeist cyberpunk, trajando coturnos e sobretudos ou exibindo cortes de cabelo moicano, mas, ao contrário da noite anterior, havia pouca gente anotando.

Fábio Fernandes trouxe ao baile a experiência como desbravador dos caminhos cibernéticos e falou com propriedade sobre maneiras de se estabelecer como escritor num mundo onde fronteiras são cada vez mais tênues, seja entre países ou gêneros literários, apontando caminhos hoje mais verossímeis que há vinte anos, como o reconhecimento internacional de autores africanos ou brasileiros não apenas como elementos exóticos, mas como diferentes e válidas visões de um fazer literário. Ferrenho defensor da globalização no consumo da literatura, Fábio afirmou categórico que, em sua opinião, quem não souber ler em outras línguas não pode ter noção do universo contemporâneo de produção.

Depois de muito esperar, Saint-Clair Stockler bateu bola enaltecendo qualidades da internet como celeridade em distribuição e contato, mas defendendo a resistência do livro físico enquanto objeto perfeito para uma leitura prazerosa. Comentou sobre o reconhecimento de seu trabalho pelo prestigioso caderno literário Prosa & Verso, do jornal O Globo, e levantou a bandeira bauhausiana que apregoa que algumas vezes, no que diz respeito a textos de qualidade, “menos é mais”. Também defendeu alguma autonomia do escritor frente aos editores, pois às vezes o autor saberia exatamente que efeito quer causar com a forma de seu texto, e discorreu sobre os processos editoriais das antologias Imaginários, que contam com brasileiros e portugueses.

O público, animado, bombardeou os debatedores com perguntas e trouxeram assuntos dos mais diversos, indo da competição entre Kindle e I-Pad até a possível existência de uma FC brasileira que usasse favelas como cenário e violência urbana. Foram citados diversos livros, tais como Brasyl, de Ian McDonald, e Tempos de Fúria, de Carlos Orsi, além de obras de Jeff Vandermeer, Dan Simmons, Cory Doctorow e Iain M. Banks, entre outros.

Falou-se da dificuldade de se escrever FC num presente com tantas características distópicas e cacotópicas, far future versus near future e construção de um sense of wonder que não ressoasse a pastiche, com personagens de nome anglo saxão e coisas parecidas.

Quem esperava um tipo de competição de agressividades entre Saint-Clair e Ana, decepcionou-se. Ambos comportaram-se de maneira elegante, deixando de lado eventuais divergências pessoais em prol de uma noite proveitosa onde o público foi quem mais lucrou com a experiência dos três. Aliás, que público... além dos já citados, marcaram presença o roteirista Patati, vencedor do prêmio HQ Mix, e Alexandre Mandarino, que foi editor do caderno de informática de O Dia. Também retornaram ao evento os escritores Ricardo França, Rafael Luppi e Rafael Lima.

O papo, bastante positivo, se extendeu noite adentro, até depois do encerramento oficial da segunda noite do SpaceBlooks, com o sorteio de mais um livro, dessa vez O Anjo Exterminador, de Bráulio Tavares, que autografou o volume ali mesmo. Fábio Fernandes e Max Mallmann também distribuíram assinaturas a torto e a direito, pois alguns exemplares de Os Dias da Peste e O Centésimo em Roma foram vendidos no local graças àquela que talvez seja a prateleira sobre Ficção Científica brasileira mais completa, atualizada e variada de todas as livrarias do Rio, com obras de André Carneiro, Christina Lasaitis, Mary Elisabeth Ginway, Gérson Lodi-Ribeiro, Jorge Luis Calife, Ana Cristina Rodrigues e as antologias Imaginários, Steampunk e FC do B.

Cheio de fatos e fotos, retirei-me da Blooks às 22:40 hs, com a certeza que não apenas a segunda noite foi ótima, mas que a terceira noite do SpaceBlooks vai explodir a caldeira.

terça-feira, 11 de maio de 2010

Ainda o símbolo da Vale (mas com um ponto positivo)

Todo mundo já viu a semelhança entre o símbolo da Vale e o daquela fábrica de sapatos, certo?



Não gosto de nenhum deles, acho mal resolvidos. Mas adorei a adaptação feita para o 1º Encontro Internacional dos Atingidos pela Vale. Isso sim é um símbolo impactante e representativo.




Sensacional.

Ri muito.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

SpaceBlooks: a primeira noite


O combinado era chegar às 18:00hs para acertarmos o que falar, mas já sabia que seria impossível. Acabei aparecendo meia hora depois e dei com uma Blooks em plena atividade. Falei com Elisa Ventura, dona da livraria, que me apontou a mesa onde se encontravam meu colega Toinho Castro e os convidados Bráulio Tavares, escritor, músico e roteirista, e Eduardo Sousa Lima, jornalista e cineasta também conhecido como Zé José. Presentes à mesa as namoradas de Toinho e Zé, que, vítimas de minha indelicadeza contumaz, acabaram não sendo apresentadas ao povo que foi chegando sorrateiro. Primeiro Luis Felipe Vasques, que demonstrou sua verve tradicional, depois Rafael Luppi, grande Lupo, meu colega e editor no site Hyperfan, que sempre que possível marca presença mesmo em eventos improváveis como minha defesa de mestrado, em 2002.

O bate papo na mesa estava tão bom que perigamos perder a hora do evento. Como eu previa, necas do César Coelho aparecer. Afinal, o cara vinha de uma ponte aérea e, de acordo com minha experiência, essas coisas são imprevisíveis e insuportáveis. Cheguei a afirmar ao Toinho que o esperava por volta de 20:30hs, mas que tinha certeza que viria, já que, quando fui responsável pela SDesign, evento de design em Vitória, o animador e co-criador do Anima Mundi não decepcionou. Às 19:15hs, eu e Toinho decidimos dar início aos trabalhos com o Bráulio e o Zé José. Havia ainda um quarto convidado, o crítico Rodrigo Fonseca, que ligou avisando que não poderia comparecer, mas isso não me intimidou, pois sabia que podia contar com a destreza do Bráulio para abrir um evento desses.

Foi quando percebi as presenças da historiadora, escritora e multimulher Ana Cristina Rodrigues, que participará da próxima mesa, no dia 13, e de Ricardo França, escritor bissexto e grande figura da Ficção Científica Brasileira. Os dois, juntamente ao Lupo e ao Felipe, mais tarde acrescidos do escritor e quadrinista Patati, formaram o núcleo da FCB durante toda a noite. Também presente o escritor Rafael Lima, autor de Aura de Asiris, um romance de Techno-Fantasy, segundo ele. Fiz uma pequena piada a respeito da profusão de subgêneros na literatura fantástica, mas o Rafael explicou que não haveria outra maneira de classificar sua obra e eu acatei antes de me dirigir à mesa.

Apresentei Toinho à platéia e ele, em resposta, me apresentou, convidando os visitantes incidentais que estavam por ali olhando livros a se acomodarem. A platéia rapidamente se estabilizou por volta das 30 pessoas, com acréscimos ocasionais. Logo o Bráulio assumiu o microfone, deliberando com muita propriedade sobre as diferenças de construção e concepção da ficção científica no cinema e na literatura, tema que perpassaria toda a noite em diversos momentos. No meio da fala inicial do Bráulio, chegou César Coelho, esbaforido, mas com o sorriso onipresente. A mesa, afinal, estava de acordo com o que havíamos imaginado.

Zé José herdou o microfone e discorreu sobre sua visão de uma ficção científica que é voltada para o futuro, mas pensa o presente, exemplificando com a série clássica de Star Trek. Zé também discorreu sobre os percalços de seus projetos pessoais.

César levantou diversas provocações, citando Arthur Clarke e Riddley Scott, afirmando que a ficção científica é o discurso preferido da maioria dos animadores iniciantes, incluindo a si próprio, cujo primeiro curta foi sobre um supercomputador tornado deus por uma tribo perdida. Acrescentou que a tecnologia contemporânea, apesar de facilitar uma inserção no mercado de animação, muitas vezes banaliza o resultado dos projetos.

Pegando a trilha da tecnologia, Bráulio postulou que o grande salto da ficção científica não foi a nave espacial e sim o celular e Eduardo Lima apontou as diferenças entre um futuro esperado/projetado e um presente que mantém semelhanças com a idéia de futuro de antigamente, mas que é introjectado, voltado, por assim dizer, ao innerspace.

Aberta a sessão para o público, um rapaz arriscou com uma pergunta sobre computação e tecnologia que vai e volta. César respondeu bem falando sobre a eventual incapacidade de um autor em visualizar o futuro e citou Alien, de Riddley Scott, que exibia computadores de bordo com telas de fósforo nos monitores.

Dei vazão a uma vontade que Bráulio e César comparassem seus trabalhos de criação em Hoje é Dia de Maria e O Romance da Pedra do Reino. Para se ter noção, o assunto foi até Tim Burton, fez uma curva acentuada, falou-se sobre Avatar e, mais uma vez, descambou para as questões de produção, o que foi ótimo. Toinho citou Farenheit 451, de Ray Bradbury e François Truffaut, e discorreu sobre a versão cinematográfica e a situação constrangedora de não existir uma boa mostra dos livros que, muitas vezes, servem de base para essas super (ou nem tão super assim) produções.

Rafael Lima aproveitou a deixa e perguntou o que os debatedres achavam da nova safra de escritores de gênero. Bráulio, sempre um gentleman, desviou da conversa e não respondeu diretamente, preferindo falar sobre William Gibson.

Finalizando, uma moça da platéia apontou a facilidade de lidar com desenhos japoneses apesar de seu imaginário potencialmente estranho ao público ocidental. Foi quando Bráulio soltou a segunda melhor frase do dia, afirmando que considerava o surgimento de criatividade na televisão um evento próximo ao milagre de Fátima, quando as crianças viram a virgem Maria. Era algo desejável, mas que parecia raro e distante.

Findas as questões, houve o sorteio de um livro de Philip K. Dick para alguém da platéia. O vencedor foi o número 24, o que gerou a melhor frase da noite (e piada imediata), por Luis Felipe: “o 24 levou Dick”. Ao som das gagalhadas, terminou a primeira noite do evento SpaceBlooks, que prometeu novas palestras, novas civilizações, audaciosamente indo aonde muita gente nunca pensou que poderia viajar