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terça-feira, 13 de agosto de 2013

Acertando os ponteiros: livro novo na praça

Meu novo romance, Reis de Todos os Mundos Possíveis, lançado hoje pela Editora Draco, nasceu como um desafio auto-imposto: criar uma novela OnLine dentro do cenário Intempol, criado por mim em 2000 e compartilhado desde então com mais de uma dezena de autores de estilos diferenciados. Achei que era a hora de dar uma forma definitiva ao que eu achava que era o Universo Intempol, já que havia tantas versões quanto cérebros envolvidos nos processos criativos. Como sempre, deu mais trabalho que imaginava e o formato de “novelinha” acabou virando algo bem mais complexo, com um elenco de personagens que chegava às raias do absurdo e subtramas rocambolescas.

Finalmente, reuni o material, revisei e reescrevi muita coisa, conversei com o pesquisador francês (e fã da Intempol) Eric Henriet, autor do compêndio sobre Uchronia L’Histoire Revisitée, para ver se ele topava escrever uma introdução, e perguntei se o Erick, editor da Draco, estaria interessado em publicar o material em formato livro. Cá estamos, então, com um pequeno volume de 112 páginas de percalços paratemporais e paradoxos peripatéticos, já em pré-venda aqui. É sempre bom recordar que, apesar de poder ser lida de maneira independente, essa história tem diversos pontos de contato com a HQ Para Tudo Se Acabar na Quarta-Feira, minha parceria com o ilustrador Manoel Ricardo, publicada pela Draco em 2011.

Finalizando, pelo que soube, esse não será o último romance da série a ser publicado pela Draco, mas as próximas aventuras serão contadas por gente mais talentosa que eu, como Carlos Orsi, Lúcio Manfredi e Fábio Fernandes. Assim, numa quebra radical de cronodigmas, os leitores poderão escolher qual versão do Intemverso é mais de seu agrado. 





“A pior coisa que pode acontecer a alguém é se apaixonar enquanto a História entra em colapso. 

Carlo Costa ainda não sabe, mas em seu futuro residem uma moça capaz de botar o planeta de cabeça para baixo e um poder que pode virar um homem pelo avesso. Ou vice-versa. 

Inimigos inusitados — nazistas, neandertais e até uma ex-futura-namorada — surgem com objetivos, armas e agentes capazes de tudo e muito mais para eliminar um homem, uma garota, a Intempol ou tudo ao mesmo tempo. Enquanto foge da entropia, Carlo encontra, conhece ou combate Houdini, Lampião, Lamarca, Le Courbusier, Evita e um desfile de personagens, descobre que mundos podem nascer dos sonhos e que nada poderá impedir o fim, seja lá o que isso signifique.

São planos dentro de planos dentro de alguma coisa vagamente parecida com uma história de amor, balas, unhas e dentes enquanto o espaço-tempo está prestes a sucumbir. Ou seja, apenas mais um dia nos corredores brancos da Intempol.”

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

O dia em que Iracema conquistou Tarzan

Capa da antologia lançada pela Titan 
Hoje é um dia de comemorações, questionamentos e conclusões. Está certo, vamos deixar as conclusões para outra ocasião e focarmos nos dois primeiros quesitos.

Comemoremos a republicação de The Last of The Guaranys, conto escrito a quatro mãos com Carlos Orsi, numa antologia dedicada ao excelente – e divertidíssimo – escritor Philip José Farmer, desta vez pela Titan Books, uma casa editorial de renome e alcance mundiais. Por causa das tiragens altas da Titan, pode ser que Tales of The Wold Newton Universe transforme essa loucura que mescla Edgar Rice Burroughs com José de Alencar em meu conto mais lido até hoje. Tomara.

A gênese de The Last of The Guaranys está muito bem contada (em detalhes que eu nem recordava) pelo Carlos, em seu blog. Nada há a acrescentar, a não ser que o título, grande sacada do meu parceiro, além de remeter ao clássico de James Fenimore Cooper, também joga com as iniciais do romance Time’s Last Gift, que, segundo a lenda, já era uma piada com Tarzan, Lord Greystoke, mas isso é firula. O importante mesmo, de verdade, é que o conto foi considerado digno de ser publicado no mercado americano uma segunda vez em menos de um ano.

O que nos leva aos questionamentos. E a uma pequena viagem no tempo. Sim, outra. Ei, isto é um texto meu, vão dizer que não esperavam algum paradoxo espaço-temporal?

Há mais de dez anos, pouco antes do lançamento da antologia Intempol, participei de um chat da extinta editora Writers (ou seria da também descontinuada revista Quark? A memória me trai, mas não no que importa), que pretendia antecipar o que hoje é comum em casas editoriais como Draco e Tarja, ou seja, a publicação de obras de autores brasileiros de Ficção Científica, Fantasia, Horror etc. Durante a conversa, quando o assunto versou a respeito de “como alcançar o sucesso escrevendo literatura de gênero” (pois é, isso é assunto recorrente, concordam?), comentei que a saída talvez fosse a publicação no exterior, buscando revistas como a Asimov, a Analog ou a Magazine of SF&F. Não apenas fui rechaçado, como  apresentaram exemplos do tipo “eu, que sou eu, tento há décadas e jamais consegui uma aprovação nessas revistas. O mercado americano é impermeável. Mas vá lá, tente!”.

Achei boa ideia. Pesquisei, procurei, burilei. Tentei. E aí está, não aparecemos nas revistas supracitadas, mas percebo que fomos direto ao pote, saindo pela Titan. Creio também que isso exclui da equação qualquer artifício eticamente questionável e ofensivo como brodagem ou jabá. Prefiro acreditar que conseguimos graças à insistência, ao aperfeiçoamento e ao propósito. Questiono, então: já que autores como Jacques Barcia, Fábio Fernandes, Gérson Lodi-Ribeiro, Carlos Orsi e até eu conseguimos publicar (e, vejam bem, sendo pagos por isso, e não o contrário) no maior mercado do mundo, será que não está na hora de testarmos outra vez essa impermeabilidade? Os Estados Unidos não são mais tão reativos a nós, nossos assuntos, nossos estilos, mesmo escrevendo um gênero tão norte-americano como a Ficção Científica.

Bom, afirmei lá no início que deixaria de lado as conclusões, mas não consigo me furtar a dizer que, daqui de onde observo, parece que todos esses mundos também são, potencialmente, nossos.

Agora, deem licença que o vinho me aguarda.

domingo, 21 de agosto de 2011

Dias de amor e cobras: As Cidades Indizíveis e Dieselpunk

A partir deste mês estarei presente em duas antologias de contos lançadas simultaneamente. A primeira é As Cidades Indizíveis, lançada pela Llyr, daqui do Rio de Janeiro, que reúne histórias de fantasia urbana, um estilo não muito difundido no Brasil, mas que teve um expoente em Cidades Invisíveis, de Ítalo Calvino, influência assumida dos editores Nelson de Oliveira e Fábio Fernandes. Compareci com O dia em que Vesúvia descobriu o amor, uma das histórias mais diferentes que já escrevi. A resenha do livro vai a seguir...

Capa de Marcelo Amado
Da última vez que você olhou para cima, conseguiu ver o céu? Ou nuvens, sol e estrelas foram substituídos por torres de concreto, janelas reluzentes e antenas de celular? Quando foi que a Cidade roubou o céu? Quando foi que ela tomou conta de você, roubou sua alma e fez com que se tornasse mais um dos seus súditos (in)felizes?

A Humanidade passou por grandes mudanças, que convencionou chamar de Revoluções. Nenhuma foi tão grande quanto aquela que nos fez construir cidades, ainda no Neolítico. Contra as bestas que nos caçavam em lugares abertos, contra os perigos de cavernas estreitas, nós erguemos cidades e estabelecemos nosso próprio lugar no mundo. Uma realização sem paralelo. Sim, você pode comparar uma cidade a uma colmeia ou um formigueiro. Mas somos mais caóticos, mais desorganizados. Mais únicos.

As Cidades Indizíveis é uma celebração disso tudo. Pedaços de ficções urbanas, fantásticas ou surreais. Lugares que você nunca viu, desconhecia completamente, porém sempre estiveram lá, no fundo da sua alma, esperando para serem visitados.

Cidades que se amam, cidades que queimam, cidades que se alimentam de dores, desejos e segredos. Cidades que parecem familiares, mas estão distorcidas. Os caminhos não são mais os mesmos. As trilhas mudaram e ainda mudam, cada vez mais. Até chegar o momento em que você irá tentar voltar, para o lugar de onde veio.

Mas será tarde demais para você, perdido no meio das Cidades Indizíveis.

Com organização de Nelson de Oliveira e Fábio Fernandes.

Contos:
Galimatar, de Fábio Fernandes;
Céu do Nunca, de Guilherme Kujawski;
O Longo Caminho de Volta, de Ana Cristina Rodrigues;
O Dia Em Que Vesúvia Descobriu O Amor, de Octavio Aragão;
Harmonia, de Roberto de Sousa Causo;
Primeiro de Abril: Corpus Christi, de Luiz Bras;
O Coletivo, Luís Henrique Pellanda;
Mnemomáquina, de Ronaldo Bressane;
Cidade Vampira (Entidade Urbana), de Fausto Fawcett.


Título: As Cidades Indizíveis
ISBN: 9788564298378
Ano: 2011
Páginas: 180

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Capa de Erick Sama
A segunda antologia é Dieselpunk, uma continuação de Vaporpunk, lançada no ano passado, e parte de uma trilogia que se fechará com Solarpunk, em 2012, todas editadas por Gérson Lodi-Ribeiro e publicadas pela Draco, de São Paulo. Meu conto é O dia em que Virgulino cortou o rabo da cobra sem fim com o chuço excomungado, que narra o estrepitoso e escalafobético encontro do bando de Lampião com a Coluna Prestes no sertão baiano e como o mundo (sim, o mundo) nunca mais foi o mesmo depois disso. 

Os companheiros de jornada são:
Ao perdedor, as baratas, de Antonio Luiz Costa;
Auto do extermínio, de Cirilo Lemos,
Cobra de fogo, de Sidemar Castro;
O dia em que Virgulino cortou o rabo da cobra sem fim com o chuço excomungado, de Octavio Aragão;
A fúria do escorpião azul, de Carlos Orsi Martinho;
Grande G, de Tibor Moricz;
Impávido colosso, de Hugo Vera;
Pais da aviação, de Gerson Lodi-Ribeiro;
Só a morte te resgata, de Jorge Candeias


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Prometo que, depois disso, jamais escreverei nada que comece com “O dia em que...”, mas acho legal que essas duas histórias “diurnas” tenham vindo à luz no mesmo mês.